O bom senso como senhor da usabilidade

De um tempo para cá, mais precisamente desde que iniciei meus estudos sobre usabilidade na web, eu criei o hábito positivo de passar a observar pessoas navegando na internet.

Apesar do hábito de observar usuários eu ainda não havia atentado para algo óbvio, mas que só me dei conta após realizar a leitura do excelente livro “Não me faça pensar – Uma abordagem de bom senso à Usabilidade na Web”, do autor Steve Krug (resenha do mesmo por Walmar Andrade aqui): “todo o uso da web é basicamente idiossincrático”, o que significa, na prática, que pessoas navegam na web cada qual à sua maneira.

Sendo assim é simples concluir que projetos de usabilidade não devem ser pensados como se fossem responsáveis por fazer o usuário agir de maneira programada e lógica. Os usuários tomam decisões a partir de tantas variáveis diferentes que seria inviável tentar e impossível obter o controle absoluto de suas ações durante o processo de navegação em seu website ou aplicação.

A abordagem de Steve Krug em seu livro é uma abordagem de bom senso mas, para além do livro em questão, eu diria que o bom senso é o senhor da usabilidade. Isso me parece bem claro agora, mas vejo por aí muitos autores tratando a usabilidade através de percepções tendenciosas, parciais e cheias de regras absolutas que nem sempre vejo sentido.

Acho que as circunstâncias não nos permitem essa rigidez e o que tende ser o “ideal” para um projeto de usabilidade é a união do bom senso do projetista com as convenções as quais os usuários já estão acostumados, tudo isso tendo como alicerce a análise crítica(mas nem tanto!) de pessoas usando a internet da maneira mais natural possível.

Alguns profissionais possuem a idéia de que trabalhar a partir de convenções pode ser uma barreira à criatividade. E nessa idéia existe alguma parcela verdade, afinal de contas convenções são convenções.

Nesse caso(e sempre!) quem dá a palavra final é o (seu) bom senso. Na verdade o que os usuários realmente apreciam não são as convenções propriamente ditas, mas sim a clareza. Clareza como facilidade de uso, não como algo que tenha sido apenas “emburrecido”, como diz o próprio Steve Krug em seu livro.

O questionamento “convencionar ou inovar” não deve ser a maior preocupação durante um projeto. Inove e/ou convencione, mas certifique-se manter tudo claro e fácil de usar. Em outras palavras: use(novamente!) o seu bom senso e siga em frente. No remorse!

Um grande abraço e até a próxima!

Mar09

8 Comentários para “O bom senso como senhor da usabilidade”

  1. Ótimo artigo André! Muita gente fala em regras, regras e mais regras mas isso não é tudo, na verdade nem é nada, cada sistema ou aplicação tem sua particularidade assim como quem usa, manias aparentemente bobas as vezes, Muito legal!
    Concordo com o título do post, acho que fica muito mais simples de entender a importancia de estudos e maneiras de desenvolver aplicações fáceis.

    Abraços!

  2. Rapaz, dá pra notar que você dá uma alfinetada num tal guru radical aí hehehe… Mas acho que as regras, mesmo que rígidas, são muito úteis principalmente agora que a web deixou de ser luxo e atinge todo mundo, direta ou indiretamente e ainda está bem jovem. Sem elas seria impossível firmar a usabilidade como realidade.
    O bom senso de muitos é formado a partir de boas regras de outros.

  3. André, se eu entendi bem, projetos de usabilidade da web são, como diremos, +/- de resultados imprevisíveis? rsss
    Abração

  4. Alow pessoal!

    #Ranieri,

    Meu velho, ótimo que tenha gostado, fico feliz!

    É por aí mesmo, menos regras rígidas e “verdades absolutas” e mais bom senso de nossa parte. :)

    #Muniz,

    Garotão, eu concordo integralmente com o que você falou em relação a utilização das regras como um caminho para “firmar a usabilidade como realidade”.

    Acho que estamos falando a mesma coisa, mas usando palavras diferentes para nos referir a ela. Talvez a diferença entre nossos pensamentos esteja no fato de que ao invés de usar o termo “regra” eu optei por usar o termo “convenção”.

    Sendo assim eu poderia dizer: “O bom senso de muitos é formado a partir de boas convenções de outros.” Ainda assim estaríamos dizendo a mesma coisa.

    O seu comentário foi excelente, valeu mesmo. E volte sempre! :)

    #Junior,

    As convenções as quais os usuários já estão acostumados tornam previsíveis alguns comportamentos dos usuários, mas acho que esse é o limite do “controle” que temos sobre suas ações.

    Um exemplo claro é o fato de que é bastante corriqueiro que os usuários, ao procurarem o campo de busca de um website, olhem diretamente para o canto superior direito do monitor.

    Mas isso não é regra geral, apenas um comportamento que já se observou tantas vezes em estudos e pesquisas que foi tomado como convenção em projetos de usabilidade. Mas nada impede que um outro usuário olhe para qualquer lugar da página quando estiver procurando a busca.

    De toda forma as convenções estão aí para nos ajudar, pois foram criadas a partir de muitas observações por parte dos especialistas. O ponto da questão pousa sobre o tipo de relação que iremos manter com essas convenções. São apenas convenções, não regras absolutas. O que vale mesmo é bom senso. :)

    Grande abraço a todos vocês!

  5. Gostei, parabens.

  6. Muito obrigado, Robson. :)

    Apareça sempre que puder!

    Grande abraço!

  7. Nessas horas eu uso a seguinte questão para analisar a usabilidade de um site: “Minha mãe conseguiria navegar aqui?” Se a resposta for sim, é porque está bom. Ao contrário…

  8. Cris, curiosamente eu também faço esse mesmo tipo de pergunta e conheço outras pessoas que também utilizam esse tipo de questionamento para avaliar o quanto usável é um site.

    Acho que esse é um bom parâmetro para avaliar usabilidade num primeiro momento. :)

    Abraço!

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