Algum tempo atrás eu escrevi em meu antigo blog um post que considerei ser um dos piores na minha curta carreira como blogger. Embora o assunto tratado fosse altamente interessante e positivo eu consegui transformá-lo num artigo massante e desconexo.
Sem problema, essas coisas acontecem. Agora vou tocar novamente no mesmo assunto e tentar ser um pouco mais claro e direto, pois descobri que ser direto é o que realmente importa.
O insight
Estou lendo atualmente o excelente livro Getting Real(aqui a tradução do mesmo para o português, recomendo vivamente a leitura!), escrito pelo pessoal da 37 Signals, e ele está me fazendo enlouquecer com sua maneira extrema de nos fazer atingir altos ganhos de produtividade no desenvolvimento de softwares online.
Mas a coisa mais legal em todo esse extremismo em nome da produtividade é que os conceitos colocados durante todo o livro se aplicam muito bem a qualquer situação da vida real. E é sobre um desses conceitos que tentarei falar um pouco nesse artigo: o faça!
Faça, apenas faça!
Corpo mole e procrastinação é algo absolutamente negativo, ao menos para mim(e espero que para vocês também!). Lendo o Getting Real e refletindo um pouco sobre a natureza do vacilo para com nossos próprios afazeres cheguei a conclusão de que o excesso de planejamento é um dos maiores responsáveis por esse tipo de atitude.
Ao longo do tempo deixei de realizar muitos projetos por uma preocupação excessiva com todo o planejamento, detalhes, planejamento, detalhes, planejamento e detalhes, num ciclo frustrante e sem fim que andava em círculos. Acho que já foi possível perceber que as coisas não vão funcionar desse jeito. Então cheguei a seguinte conclusão: faça, apenas faça!
Relaxe com o planejamento excessivo e os detalhes e avalie a importância de seguir em frente, que é sempre mais real do que qualquer planejamento, em qualquer nível de abstração. Seguir em frente é construir, executar, fazer acontecer: é real! Uma grande idéia, projeto ou sonho que só existam no papel ou em sua cabeça não significam nada, são irreais.
Simplifique para acontecer
Vamos cair na real: nossas idéias e projetos são apenas idéias e projetos, não são algum tipo de cirugia cerebral onde não há uma segunda chance. Decisões não precisam ser necessariamente definitivas, elas podem e devem ser passíveis de mudanças. Nada nos impede de voltar atrás e fazer as coisas de outra forma.
Quando concluímos algum projeto pessoal ou colocamos em prática uma idéia que estava engavetada é fácil perceber que isso significa que estamos fazendo o que realmente interessa, não importa se mandamos para o espaço todo o planejamento incrível que pensávamos em fazer antes da execução.
Para mim já ficou muito claro que dessa forma as coisas não iriam acontecer nem em 100 anos. O barato mesmo é simplificar e fazer acontecer, sem ficar que nem um “mané” imaginando coisas.
Grande abraço e até breve!
Estou nessa com meu portfólio.
Quero projetar tudo, fazer o site mais bonito do mundo.
Mas, ainda bem, parei com isso (senão o site não ia sair nunca do papel – sim, já foi pro papel)
Na 2ª feira eu começo.
Pensando bem, na 3ª feira – 2ª é aniversário de namoro…
Pois é Camilo, todo mundo sofre com isso.
Comprovei empiricamente que o excesso de planejamento e atenção aos detalhes inviabiliza muita coisa e torna as coisas mais complicadas do que elas realmente são.
O ótimo é inimigo do bom, como se diz por aí. Faça a coisa certa: faça!
Grande abraço!
Bacana o post André e valeu a dica do livro … já estou imprimindo uma cópia para começar a leitura ainda hoje, no caminho de casa.
É preciso quebrar algumas regras, desburocratizar e rever processos, para conseguirmos ver alguns projetos chegarem ao seu final.
É claro que é fundamental um bom planejamento, utilizar métodos, seguir regras, normas, padrões, melhores práticas, mas às vezes é necessário reinventar a roda quando o terreno muda… e ele vem mudando cada vez mais rápido.
Lá atrás, na escola, quando ainda éramos todos criativos e muitos curiosos, fomos educados (“adestrados”) a obedecer e seguir todo tipo de regras e não tivemos muita liberdade para perguntar o por que de todas aquelas coisas…
Faz um tempinho, escrevi um artigo sobre bloqueios à criatividade que transcrevo um pequeno trecho abaixo:
“…
- Cuidado para não pagar um mico.
Um ambiente de medo e críticas não é compatível com um criativo. Para criar, é fundamental que se tenha liberdade para perguntar, duvidar, errar, fazer e expor idéias sem constrangimento, mesmo que algumas pareçam sem sentido.
- É proibido errar.
Só erra quem faz! Jack Welch, ex-presidente da GE, conta em seu livro “Jack Definitivo” que durante o seu segundo ano de trabalho foi responsável pela explosão de um laboratório, não houve vitimas. Ao contrário do que pensava, não foi penalizado, foi promovido. Oito anos depois, era escolhido presidente GE. Jack foi presidente durante 10 anos e eleito por diversas entidades como o empresário do século 20.
…”
Um abraço
Oi André,
Concordo que o Getting Real é uma leitura importante para quem trabalha com internet e desenvolvimento, mas temos que tomar um certo cuidado com o que o livro prega.
Desistir das etapas de planejamento é uma escolha que faz sentido para projetos e equipes pequenos. Uma coisa é desenhar um pequeno serviço outra completamente diferente é desenhar um comércio online de grande porte.
O livro traz idéias interessantes sobre diminuição de documentação excessivas e design baseado em protótipos que podem se enquadrar muito bem em uma metodologia mais robusta e tradicional.
Ao meu ver, o pessoal da 37 signals adota essa postura radical para gerar polêmica e aumentar o buzz em torno de seus produtos.
Olá André!
O mais difícil de vencer é a procrastinação… pois não está num nível da consciência… é inconsciente.
A razão sabe que tem que meter as caras e fazer…. mas a procrastinação puxa o freio de mão
[]‘s
Pessoal, antes de mais nada preciso agradecer de coração os comentários de vocês.
Fico pirado quando recebo comentários tão substanciais e repletos de verdadeiro conhecimento, vindo de pessoas realmente inteligentes. Isso foi o que sempre quis para esse blog.
#Horácio,
É bem verdade que desburocratizar, como bem colocado por você, é o caminho mais rápido para transformar em realidade todas as nossas idéias e projetos.
O planejamento, claro, é fundamental. Mas já consegui perceber que em excesso ele torna-se um dificultador em potencial. Inúmeras vezes já vi meus planos e projetos frustrados por conta da minha ânsia em obter um (falso)controle de todos os (mínimos)detalhes.
Boa leitura do livro, estou certo de que ele lhe será tão útil quanto foi a mim e espero que o torne ainda mais produtivo em todos os seus campos de responsabilidade. Menos burocracia e mais ação no plano real!
#Luli,
Concordo contigo, não acho que para projetos de grande porte seja possível e recomendado deixar de lado todo o planejamento. Mas acho que é sim possível deixar de lado todo o planejamento excessivo.
Acho que o mais legal no Getting Real é a filosofia de “ir direto ao ponto” e ser capaz de mudar assim que for necessário. Como falei no artigo “decisões não precisam ser necessariamente definitivas, elas podem e devem ser passíveis de mudanças.”
E concordo também que existe uma grande chance de que essa postura do pessoal da 37 Signal tenha como objetivo “gerar polêmica e aumentar o buzz em torno de seus produtos.” Mas não podemos negar que, de fato, eles são excelentes naquilo que fazem.
De toda forma acho que na vida é muito válido burocratizar e planejar menos e “se jogar” e fazer mais: fazer as idéias e projetos tomarem forma. Afinal de contas a sensação de satisfação quando isso acontece é excelente, não é mesmo?
Um grande abraço para vocês e apareçam sempre!
Concordo com a visão de menos burocracia. Tratando técnicas como ferramentas, no nível de ferramentas de apoio ao desenvolvimento, acredito que todo projeto deve simplesmente começar, e ter ferramentas “ligadas por demanda”.
Não apenas a burocracia de projeto, mas a complexidade ferramental pode também contribuir para travar uma idéia e torná-la um eterno “vaporware”…
[]s
Concordo que não devemos nos prender somente ao planejamento pois pode acabar prejudicando a prática mas, se não tomarmos cuidado com a preparação, podemos nos dar mal depois.
Sei muito bem o que a falta de planejamento pode acarretar. Muito re-trabalho, stress com a equipe envolvida no projeto, etc., tudo por causa de falta de conversa antes da execução do trabalho.
Concordo que não podemos nos prender tanto a detalhes, mas um bom planejamento unido a agilidade da equipe, garantirá um projeto bem-sucedido.